Greve geral da saúde pública de Minas Gerais contra o arrocho começou nesta quinta-feira



Bia, presidente da CUT-MG, destaca mobilização dos cutistas pela valorização dos serviços públicos
Os trabalhadores e trabalhadoras da saúde aprovaram a continuidade da greve geral durante assembleia realizada na tarde desta quinta-feira (14), no pátio da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A categoria paralisou as atividades em todo o Estado nesta quinta-feira. De acordo com pauta entregue pelo Sind-Saúde/MG ao governo do Estado em fevereiro, os servidores e servidoras reivindicam, dentre outros pontos, reajuste salarial igual para todos, revisão do plano de carreira, pagamento de direitos trabalhistas a quem tem direito, melhores condições de trabalho, investimento na saúde de 12% do orçamento conforme determina a Constituição e redução da jornada de trabalho para 30 horas semanais para todos sem redução de salário.
Nova assembleia está marcada para as 14h da próxima quarta-feira (20). Um dia antes, às 19h, foi agendada um rodada de negociação entre os dirigentes do Sind-Saúde/MG com representantes do governo do Estado, que prometeram apresentar uma proposta concreta para os trabalhadores, o que não aconteceu no encontro de quarta-feira (13). Até lá, os servidores e servidoras da saúde vão trabalhar em escala mínima em todo o Estado, com cerca de 30% do pessoal.
Na assembleia desta quinta-feira, os trabalhadores e trabalhadoras da saúde receberam o apoio da Central Única dos Trabalhadores, de outros sindicatos, dos movimentos sociais e de partidos políticos. Centenas de servidores vieram de caravanas do interior e lotaram o pátio da ALMG.
A presidenta da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT/MG), Beatriz Cerqueira, parabenizou os servidores pela greve e alertou para as possíveis retaliações por parte do governo estadual. “Vim de uma audiência pública em que se debateu uma questão muito importante para a saúde, que é a água, e um deputado, da base do governo, tentou desqualificar os dirigentes sindicais que estavam lá. O governo vai tentar desqualificar o movimento de vocês e suas lideranças. O governo Anastasia não é capaz e resolver conflitos. É uma administração que só tem eficiência na publicidade. Uma greve por si só é vitoriosa, mas precisamos conquistar o apoio da sociedade. Para isso, é necessário dialogar com a população, usando de todos os meios, a internet, o blog, o facebook, enviar e-mails para jornais, rádios, TVs, para que fiquemos isolados. O sindicato tem o seu papel, e a Central tem o seu, e o coletivo, formado pelas outras entidades e os movimentos sociais, é fundamental para evitar o isolamento.”
Para Beatriz Cerqueira, apoiar a greve é uma obrigação da CUT. “Devemos fazer muito mais, estar ao lado de vocês em todos os momentos. A Central Única dos Trabalhadores assumiu o compromisso de denunciar aos organismos internacionais das práticas antissindicais do governo do Estado. Vamos ver se assim, com a exposição dos desmandos nacional e internacional, esse governo se envergonhe do que está fazendo com os trabalhadores.”
Nas ruas de BH, servidores aumentam a pressão contra o arrochoA presidenta da CUT ressaltou também que é preciso ter cuidado para negociar com o governo. “Tenho certeza de que vocês farão um bom trabalho, mas é bom lembrar que no ano passado, o Sind-UTE/MG propôs o encerramento de uma greve de 112 dias, porque tínhamos um documento assinado por um secretário de Estado. O governo não cumpriu o compromisso.” Beatriz Cerqueira enfatizou o enfrentamento da CUT com a administração Anastasia. “Desde o dia 3 de junho o governo do Estado sabe que a defesa da classe trabalhadora será intransigente.”
Renato Barros, do Sind-Saúde/MG, disse que a categoria aguardava uma proposta concreta do governo estadual há quatro meses. “Protocolamos nossa pauta em fevereiro. Quando nos reunimos em maio, pediram novamente que apresentássemos nossas reivindicações. Na quarta-feira, acenaram com o reposicionamento e outros itens, dentro de uma política remuneratória, e prometeram nos apresentar uma proposta concreta na próxima semana. Mas pediram que não fizéssemos greve. Aí argumentamos que os trabalhadores não aguentavam esperar mais.
GRANDE MANIFESTAÇÃO
O Sind-Saúde apresentou a pauta de reivindicações em fevereiro, e até hoje o governo não deu qualquer resposta concreta. Dentre os pontos reivindicados, destaque para reajuste salarial igual para todos, revisão do plano de carreira, pagamento dos direitos trabalhistas, melhoria nas condições de trabalho e redução da jornada de trabalho de 40 para 30 horas semanais.
Várias unidades hospitalares e hemocentros estão operando, a partir de hoje, em escala mínima, ou seja, com apenas 30% do número de profissionais. O Sind-Saúde e os trabalhadores da saúde esperam que o governo tenha sensibilidade com a categoria e com a população e apresente propostas concretas.
UNIÃO

Em um ato histórico, os servidores da UFMG, que estão em greve desde maio, se uniram aos trabalhadores da saúde e engrossaram o coro por melhorias nos salários e condições de trabalho dos servidores da saúde e educação de Minas e do Brasil. Outros sindicatos e movimentos sociais também estão apoiando a greve da saúde.
O Sind-Saúde agradece aos apoiadores e ao Sindicato dos Trabalhadores das Instituições Federais de Ensino (Sindifes) pelo importantíssimo apoio à greve da saúde. Os trabalhadores da saúde também apoiam a greve dos técnicos e professores da UFMG e das universidades federais. Só com união é que os trabalhadores conseguirão fazer com que os governos valorizem os servidores públicos.

Escrito por: Rogério Hilário, com informações do Sindsaúde-MG

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