quarta-feira, 27 de junho de 2012

CUT na Rio+20: No encerramento da Cúpula dos Povos, Central afirma que irá ao Paraguai ajudar na resistência ao golpe



Rosane Silva destacou que a CUT irá apoiar a democracia ao lado de povo Paraguaio
A Cúpula dos Povos, resposta dos movimentos sociais à Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (Rio+20), terminou na manhã dessa sexta-feira (22) com uma grande assembleia no Aterro do Flamengo, local onde ocorreram os debates.
Com a participação das organizações dos movimentos sociais que tomaram a capital carioca, o encontro apresentou uma ampla agenda de lutas e campanhas, além da declaração final assinada por todas as entidades. Clique aqui para ler.
No documento, uma síntese política das discussões, a necessidade de frear a nova fase de recomposição do capitalismo e de construir, por meio de lutas, novos paradigmas da sociedade.
A declaração também afirma que a Rio+20 atendeu apenas aos interesses do sistema financeiro e representou a captura política da ONU. O relatório aponta que a conferência oficial “repete o falido roteiro de falsas soluções defendidas pelos mesmos atores que provocaram a crise global.”
Para a Cúpula, a maioria dos governos demonstrou irresponsabilidade com o futuro da humanidade e do planeta. Diante disso, o encontro dos movimentos sociais deixou claro que apenas a mobilização é capaz de reverter esse quadro.
O texto aponta ainda caminhos para alterar o atual quadro de crise, como a gestão democrática e a participação popular, a economia cooperativa e solidária e a construção de um novo paradigma de produção, distribuição e consumo.
Dia Mundial de Greve – Ao final, a Cúpula apresentou 14 eixos de luta, com destaque para a construção de um Dia Mundial de Greve Geral e para a solidariedade aos povos e países, principalmente os ameaçados por golpes militares ou institucionais, como ocorre agora no Paraguai.
CUT no Paraguai
Em sua intervenção, a secretária da Mulher Trabalhadora da CUT, Rosane Silva, representando também a Confederação Sindical das Américas (CSA), a Confederação Sindical Internacional (CSI), abordou justamente essa questão. Ela afirmou que uma delegação CUTista já está se articulando para ir ao Paraguai no início da próxima semana com outros sindicalistas da América do Sul. O objetivo é ampliar a resistência dos trabalhadores ao golpe de Estado do qual o presidente Fernando Lugo foi vítima, por meio de um processo de impeachment que durou apenas 36 horas.
Na leitura das campanhas e agendas de lutas das plenárias, a necessidade de ampliar a aliança dos movimentos sociais sempre esteve presente“Iremos compor uma delegação que engrossará a luta do povo paraguaio contra setores reacionários, que tentar tomar o poder de forma autoritária e tem aversão à decisão democrática das urnas”, comentou.
A Cúpula dos Povos também aprovou uma moção de apoio à Lugo, por meio da qual afirma o compromisso irrenunciável com a vigência da democracia no Paraguai e aponta a direita do país, aliada à elite econômica dominante, como responsáveis pelo golpe.
Lição de casa é manter a luta
Militante da luta por moradia e dirigente nacional da Central de Movimentos Populares, Luiz Gonzaga da Silva, o Gegê, comentou o encontro que uma delegação dos movimentos sociais teve com o secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, na manhã dessa sexta.
De acordo com Gegê, as organizações relataram o descontentamento com o documento final da Rio+20 e Moon citou a dificuldade em estabelecer consenso até mesmo entre os chefes de Estado. Situação que deixou o líder dos movimentos de moradia animado. “Isso demonstra que se fortalecermos apenas um pouco mais nossa organização o capitalismo vai à bancarrota.”
Coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, João Pedro Stédile, afirmou que mais do que qualquer documento, o importante era levar da cúpula a vontade política de mudar o mundo. “Temos agora que voltar e começar a organizar a luta junto às nossas bases, movimentos e polos.”
Segundo ele, havia ali um acordo entre todos de lutar contra as mineradoras, o principal tentáculo do capital internacional para tomar as riquezas dos países, e o agronegócio, que por meio de seus venenos, contaminam o solo e os alimentos.
Stédile defendeu ainda que a defesa do transporte público como parte do desenvolvimento sustentável. “As pessoas da cidade sofrem uma grande ofensiva das montadora para utilizar um veículo que polui e torna as cidades inabitáveis. Lutar por transporte público de qualidade é lutar por um ambiente mais saudável.”

Jovem delegação do Paraguai presente na Cúpula leu manifesto em apoio a Lugo e contra golpe no ParaguaiRio+20 quer distância da sociedade civil
Também nesta sexta, o governo brasileiro, por meio do ministério do Meio Ambiente, anunciou a criação de um Centro Mundial de Desenvolvimento Sustentável (Centro Rio+), que terá parcerias com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), para o Meio Ambiente (PNUMA) e organizações da sociedade civil.

Presidente da CUT, Artur Henrique, criticou a medida, que indica até então, parcerias com representantes dos empresários, mas exclui os trabalhadores do projeto.
“Mais uma vez o governo brasileiro deixa de fora a representação da classe trabalhadora em uma questão fundamental, que é a negociação da transição desse modelo para outro. Exigimos estar nessas negociações, porque também seremos afetados: queremos discutir o que acontecerá com os empregos nesse novo modelo, como será a requalificação de quem precisará trabalhar em outra área, as garantias de proteção”, explicou.
O dirigente alertou também o governo precisará enfrentar a pressão popular, caso mantenha iniciativas como essa. “Acho que ainda não entenderam, mas vamos repetir: se não formos ouvidos seremos contra e faremos grandes manifestações para deixar isso bem claro. Não adianta chamar a OIT (Organização Internacional do Trabalho) e dizer que nos representa, porque ela é tripartite. É um absurdo termos uma entidade como a CNI (Confederação Nacional da Indústria) e ninguém da classe trabalhadora”, apontou.
Artur acredita ainda que a Cúpula dos Povos ensinou aos chefes de Estado como lidar com as divergências sem deixar de construir avanços. “Mesmo com tanta diversidade de pauta, fomos capazes de construir uma unidade, fundamental para a grande marcha da cúpula e para aprovar um documento final que aponta nossas opiniões unificadas em contraposição ao que saiu na Rio+20. Agora, precisamos dar continuidade para fazer as mudanças que queremos.”
Por: Daiane Cerezer (CUT-RS), do Rio de Janeiro

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