Indústria do aço se compromete a não usar carvão produzido com desmatamento e trabalho escravo



No ano passado, publicamos uma reportagem que mostrava que grandes empresas siderúrgicas estavam usando carvão produzido com trabalho escravo e desmatamento ilegal. O levantamento, feito pelo Instituto Observatório Social, identificou quatro siderúrgicas da Amazônia usando carvão vegetal de origem suspeita.
O Instituto Aço Brasil, entidade que reúne os produtores brasileiros do setor, se defendeu na época dizendo que o aço produzido com carvão ilegal vai apenas para a exportação, e portanto os brasileiros não contribuem com o desmatamento ilegal ao comprar produtos nacionais que usam aço. Mas isso não muda o fato que algumas empresas estavam lucrando com práticas ilegais, e estimulando, desta forma, o desmate e o trabalho degradante.
Para tentar resolver de vez esse problema, a indústria do aço se comprometeu, nesta terça-feira (3), a eliminar o consumo de carvão vegetal de origem ilegal ou suspeita. Para isso, o setor assinou um compromisso com o Ministério do Meio Ambiente dizendo que, em quatro anos, as siderúrgicas só vão utilizar carvão provenientes de florestas plantadas, em terrenos administrados pelas próprias empresas siderúrgicas.
O acordo é uma boa notícia, mas a própria ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, acredita que ainda não é suficiente. Isso porque outros setores também deveriam se comprometer a acabar com o uso do carvão ilegal. “A indústria do aço garantiu que vai produzir 100% do carvão vegetal. Mas, agora, temos que avançar no segmento de ferro-gusa, e estamos chamando esses empresários, mas será mais difícil esse diálogo”, disse Izabella, segundo a Agência Brasil. O Brasil é o maior produtor de ferro-gusa do mundo.
Por : Revista Época

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